Extinção pode ser definida como o evento pelo qual o último representante de uma espécie deixa de existir. Ou ainda, de modo mais abrangente, como o momento a partir do qual os indivíduos remanescentes de uma espécie mostram-se incapazes de produzir descendentes viáveis ou férteis.
A extinção de espécies é um fenômeno natural, tanto quanto o surgimento de novas espécies por meio da evolução biológica. A maior parte das espécies de plantas e animais, que já povoaram a face da Terra, extinguiu-se devido a causas naturais antes mesmo do aparecimento do homem, e os paleontólogos reconhecem cinco períodos em que extinções em massa reduziram a biodiversidade no planeta.
Entretanto, mais do que o evento da extinção em si, interessa compreender os processos pelos quais as espécies tornam-se extintas. Atualmente, os processos que eventualmente levariam ao desaparecimento de muitos dos seres vivos, que conhecemos, foram acelerados pela ação humana.
A perda da biodiversidade constitui um dos problemas ambientais mais dramáticos deste início do século XX, resultando, nas últimas quatro décadas, a extinção de mais de 450 espécies de animais. Caso essas tendências não sejam revertidas, as projeções apontam a números assustadores para as próximas décadas, o que poderá ocasionar mais um período de extinção em massa na história da vida no planeta.
Um recente relatório, divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU), indica que a metade das capturas pesqueiras mundiais ocorre em cerca de 10% dos oceanos e que é nesta área que se produz a maior parte da atividade biológica de espécies chaves na cadeia alimentar. Segundo o informe, devido às mudanças climáticas, com aumento de 3ºC na temperatura das águas superficiais, mais de 80% dos corais, fundamentais na ecologia marinha, podem morrer. Em resumo, as más práticas pesqueiras, as mudanças climáticas, a poluição e a forma de desenvolvimento litorâneo levarão ao colapso biológico dos mares.
Este cenário tem provocado maior atenção da sociedade sobre a importância da conservação da biodiversidade, tema atualmente prioritário nas agendas políticas nacionais e internacionais, expresso na Convenção sobre a Diversidade Biológica, assinada e ratificada pela maioria dos países. Amplia-se cada vez mais o reconhecimento do valor intrínseco da diversidade biológica e do seu papel na manutenção dos sistemas necessários à vida.
Assim, a formulação da Lista de Espécies Ameaçadas (Lista Vermelha) é uma conquista importante, pois contribui diretamente com uma política pública para a conservação ambiental. O principal papel das listas vermelhas é informar e alertar aos tomadores de decisão, profissionais da área de meio ambiente, conservacionistas e a opinião pública, sobre a crescente dilapidação do patrimônio genético.
A União Mundial para Conservação da Natureza (IUCN - The International Union for Conservation of Nature) tornou-se referência mundial na avaliação de espécies ameaçadas, através da publicação, desde 1966, das listas vermelhas de plantas e animais ameaçados de extinção. Ao longo dos anos, não só as espécies, mas também os critérios para definição de seu estado de conservação foram revisados, em virtude do avanço do conhecimento científico, tornando a avaliação mais objetiva e replicável em diferentes momentos e regiões.
Listas Nacionais da Fauna Ameaçada de Extinção foram publicadas em 2003 e 2004, pelo Ministério do Meio Ambiente. O Brasil, país que concentra a maior biodiversidade do planeta, tem a frente um duplo desafio: a responsabilidade pela conservação deste patrimônio e a oportunidade ímpar de incorporá-lo como elemento central de uma nova concepção de desenvolvimento, baseado na sustentabilidade ambiental.
Também são as Listas Estaduais importantes instrumentos para o planejamento e a estruturação de programas de conservação da biodiversidade, onde ações de monitoramento estarão baseadas em resultados consolidados pela pesquisa científica. Contudo, apesar da importância do instrumento, Santa Catarina é o único estado da região Sul do Brasil que ainda não se empenhou na identificação das espécies em risco de extinção e na elaboração de sua lista vermelha.