Notícias

Santa Catarina empenhada na proteção da biodiversidade

Cerca de 100 pesquisadores estão envolvidos na elaboração da Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas de Extinção no Estado, instrumento que pode nortear políticas públicas. A perda da biodiversidade constitui um dos problemas ambientais mais dramáticos desde o início do século XX. Tal preocupação resultou no envolvimento de cerca de 100 pesquisadores para a elaboração da Lista Vermelha das Espécies da Fauna Catarinense Ameaçadas em Extinção. O trabalho iniciou de forma voluntária em 2007, através da ONG IGNIS – Planejamento e In-Formação Ambiental, de Itajaí.

A necessidade de identificar as espécies da fauna catarinense decorreu do fato de Santa Catarina ser o único estado do Sudeste e Sul do Brasil que ainda não havia se dedicado a buscar soluções ao problema. Em novembro de 2008, o Governo Estadual, por intermédio da Fundação do Meio Ambiente (FATMA) disponibilizou recursos para este fim, provenientes de Compensação Ambiental aplicados à empresa do Sistema de Transmissão Catarinense S.A. (STC). O trabalho será concluído em 2010 e a intenção é entregar a lista ao Governo Estadual para que ainda neste mesmo ano, seja apreciada pela Assembléia Legislativa e aprovada como um Projeto Lei.


O próximo evento, III Fórum de Discussão sobre a Fauna Catarinense Ameaçada, está previsto para os dias 30 e 31 de março, na FURB, em Blumenau.

“Lista” permite utilizar recursos de forma sustentável

Uma das coordenadoras técnicas do projeto e analista ambiental do CEPSUL\ICMBio, Ana Maria Torres Rodrigues, explica que a publicação da “Lista Vermelha de espécies”, se bem adotada como Política Pública, deve ser um dos instrumentos que norteiam as medidas e ações de planejamento público, relacionadas à expansão urbana, de áreas agrícolas, para a implantação de obras de infra-estrutura, e no licenciamento da exploração dos recursos naturais, buscando harmonizar as atividades econômicas à conservação dos ambientes naturais. “Assim, serão minimizados problemas de saúde pública, de ocupação de áreas de risco, dentre outras, evitando-se com isso, as catástrofes naturais,” finaliza.








O coordenador do Grupo que estuda as aves, presidente da Associação Catarinense de Preservação à Natureza (ACAPRENA) e professor da FURB Rudi Ricardo Laps, explica que a falta de proteção de várias espécies causa um impacto tanto econômico, como da biodiversidade. Aves que comem frutos e dispersam suas sementes são importantes para a manutenção de muitas espécies de interesse econômico, como palmiteiro e canelas. “Comedores de frutos de grande e médio porte, como jacus, jacutingas e tucanos sofreram e sofrem muita pressão da caça ilegal, cujo impacto vai além da extinção local destas espécies: com o seu desaparecimento somem aqueles que executam o papel de semear canelas e palmiteiros para o futuro. Porém, como é algo que acontece a longo prazo, muitas pessoas não ligam a extinção dos semeadores com as espécies que eles semeavam.” finaliza.

O também biólogo, analista ambiental do CEPSUL\ICMBio e Coordenador do Grupo que estuda os Crustáceos na elaboração da Lista, Harry Boos Junior, comenta que a falta de preocupação com determinados grupos pode causar conseqüências irreversíveis no futuro. “A extinção não será apenas das espécies, mas também do ambiente em que elas vivem” diz. Os caranguejos de água doce, presentes em riachos, estão nas análises de Boos e caso essa espécie seja extinta futuramente, o “habitat” dela também será comprometido. “A perspectiva de desaparecimento da espécie nos atenta ao comprometimento dos cursos de água onde vivem, e que são os mesmos mananciais que abastecem os municípios de água. Uma coisa não está dissociada da outra. As espécies nativas da área são nossos indicadores de qualidade do ambiente”, completa.

Estão como principais apoiadores do projeto o Ministério do Meio Ambiente (MMA), Centro de Pesquisa e Gestão de Recursos Pesqueiros do Litoral Sudeste e Sul (CEPSUL), Unidade do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), IBAMA, Rede Meros do Brasil, UNIVALI, FURB, UNIVILLE e a Secretaria de Meio Ambiente de Balneário Camboriú

Mais informações: Thatiana Sousa Sestrem - Assessora de Comunicação Fone: (47) 3344.2864 - contato@ignis.org.br


Voltar







Fone (47) 3344.2864 | Rua Dr. Pedro Ferreira, 155 | 16º andar | Sala 1.605 | Centro | Itajaí | SC | CEP: 88.301-030