O presidente do Instituto Chico Mendes, Rômulo Melo, responsável pelo controle do setor de biodiversidade, garante que a intenção é abrir a porta dos 77 milhões de hectares de áreas de conservação para os pesquisadores, mas que isso deve ser feito com cuidado: "há pessoas com desvio de comportamento em todos os setores. E, infelizmente, no meio acadêmico. Existem pesquisadores que desviam material de pesquisa e precisamos ter o controle sobre a biodiversidade brasileira. Não dá, por exemplo, para deixar correr solto a pesquisa com os peixes-bois marinhos. Só temos mais 500 da espécie." O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, já se comprometeu com a SBPC a diminuir a burocracia dos processos dos licenciamentos de pesquisa e incentivar um relacionamento mais harmonioso entre ambientalistas e cientistas, que estão sendo tratados como inimigos. A idéia é desenvolver mecanismos de co-responsabilidade entre as instituições de pesquisa, que devem assumir a responsabilidade por qualquer erro de suas equipes. "Eu sou acadêmico", disse o ministro. Sei das dificuldades. Mas a questão é mudar mentalidades. E isso é muito difícil. Mas é preciso ter cuidado porque lá fora (no exterior) estão de olho nas nossas patentes. Por isso, mesmo que sejam denúncias anônimas, o Ibama precisa apurar, porque depois pode ser responsabilizado. O que mais incomoda os cientistas, além do longo tempo de espera para conseguir uma licença, é que é preciso a autorização de um técnico que, na maioria das vezes, não tem a formação acadêmica necessária para entender a natureza da pesquisa e avaliar se ela é pertinente ou não. Para o antropólogo Otávio Velho, apesar dos avanços anunciados pelo Ministério do Meio Ambiente, existe uma incompreensão dos órgãos ambientais subordinados. "Parece que não entenderam o recado do ministro e continuam trabalhando de forma equivocada - acredita."
Fonte: JB Online
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